quinta-feira, 25 de abril de 2013

Desfado

" Quer o destino que eu não creia no destino
E o meu fado é nem ter fado nenhum 
Cantá-lo bem 
sem sequer o ter sentido
Senti-lo como ninguém
mas não ter sentido algum

Ai que tristeza, esta minha alegria
Ai que alegria, esta tão grande tristeza
Esperar que um dia
eu não espere mais um dia
por aquele que nunca vem 
e aqui esteve presente


Ai que saudade que eu tenho de ter saudade
Saudades de ter alguém que aqui está e não existe
Sentir-me triste só por me sentir tão bemE alegre sentir-me bem só por eu andar tão triste 


Ai se eu pudesse não cantar "ai se eu pudesse",
e lamentasse não ter mais nenhum lamento
Talvez ouvisse
no silêncio que fizesse
uma voz que fosse a minha
a cantar alguém cá dentro

Ai que desgraça, esta sorte que me assiste
Ai mas que sorte eu viver tão desgraçada
Na incerteza
que nada mais certo existe
além da grande certeza
de não estar certa de nada


Ai que saudade que eu tenho de ter saudade
Saudades de ter alguém que aqui está e não existe
Sentir-me triste só por me sentir tão bem
E alegre sentir-me bem só por eu andar tão triste."

Ana Moura 

"Desfado"
Letra: Pedro da Silva Martins

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