terça-feira, 30 de abril de 2013

Dançando sob um ninho de cucos

Cada vez mais me apercebo que muitas pessoas que frequentam o tipo de ambientes onde ultimamente tenho ido, parecem ter sintomas psiquiátricos.

(e não digam que é mania minha)

Algumas raparigas são demasiado "aluadas" pois por vezes têm um ar e um olhar ausentes. Ao conversar com elas parecem falar de uma forma estranha ou dizem comentários despropositados.

Alguns rapazes têm um ar desorientado, meio estranho e parecem meio obcessivos.

Todos parecem estar ali como se a dança fosse uma verdadeira terapia - e,de facto, é - mas como se fizesse parte de um tratamento.

O perfil de um frequentador típico é: ecologista, amante da Natureza, acredita totalmente ou em parte no esoterismo, faz yoga e tem um ar meio ausente e alheado da realidade, tal como se tivesse um pé na terra e outro no ar, ou seja, no seu próprio mundo. Tal como nas danças, em que há umas que são mais terrenas e outras em que são mais "flutuantes". Ah, e são vegetarianos ou preocupam-se muito com a alimentação saudável.

Eu apenas estou lá pela parte tradicional e por sentir-me como se estivesse num baile do século XIX, com um toque de modernidade musical. Mais nada. De resto, claro que me preocupo com um estilo de vida saudável, ainda para mais tendo a profissão que tenho, posso admitir ter uma pontinha (pequenina!) de crença no esoterismo (mas apenas por causa do mestre Fernando Pessoa), adoro a Natureza (ninguém me tira a minha ida mensal à M*!), sou relativamente ecologista, na medida em que me preocupo pelo meio ambiente, como qualquer bom cidadão e bom habitante do planeta Terra... mas de resto, não me identifico.

Por isso às vezes sinto-me um bocado deslocada. Mas, se pensar bem, eu também me senti sempre deslocada em grupos de pessoas, mesmo às vezes na tuna (as minhas clássicas birras e amuos) por isso talvez até tenha mais semelhanças com aquele grupo de pessoas do que eu própria quero admitir. O que não retira o facto de às vezes me sentir como estivesse num serviço de Psiquiatria. De facto, não preciso de trabalhar na área para lidar com pessoas com alterações do foro psiquiátrico e social - tanto na minha vida profissional e pessoal os encontro! Tenho é de saber lidar muito bem com eles... principalmente quando eles são colas...

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