sábado, 6 de março de 2010

Culinária




Não têm bom aspecto? Afinal tenho alguns dotes escondidos: não são é muitas vezes postos em prática. Cozinhar deve ser um prazer e não uma obrigação. E estas obras (se me permitem dar-lhes este nome, pois não é um substantivo que indique necessariamente qualidade) foram fruto de uma tarde de sábado em que o desejo nasceu mesmo do prazer e não da obrigação. Com a minha idade, não sei se hei-de ter vergonha ou considerar-me uma sortuda por poder cozinhar só quando me apetece. As minhas colegas mais velhas queixam-se de ter de cozinhar todos os dias e pensar em alternativas quando já tudo parece enjoar. Envergonhada, oiço "ainda não te preocupas com estas coisas, não é? Mas olha que na tua idade já cozinhava." Lá está: sou uma sortuda envergonhada.


Mas isto não é consequência, pelo menos directa, da emancipação feminina; é antes da permanência cada vez mais prolongada das crias no ninho. E eu, tenra avezinha, lá vou pernoitando, recolhendo as migalhinhas que tão afectuosamente me dão. Algum dia conseguirei voar?

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