Ribeira cheia. A força da água é música natural. Sento-me no baloiço da imaginação e deixo os pensamentos fluirem. A mente repousa no silêncio apenas quebrado pelo som fluvial enquanto o corpo dá balanço - quase que vôo. Volto a sonhar - ainda tudo é possível. Sim, apesar de todos as inseguranças, medos e cepticismos, penso em todas as alternativas que tenho ao meu alcance. Sou livre - não há obstáculos intransponíveis. Tudo está na mente.
Desço à terra com a chegada de desconhecidos ao paraíso real. Desapontada por tão inesperada aparição, o meu corpo abranda o balanço. Até parar, aterrando com as botas no chão de gravilha. Abandono o paraíso, que entretanto também arrefecera.
Mas já sou outra, outra vez.
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