segunda-feira, 15 de março de 2010

De Elvas a Montemor (o novo)











"Ó Elvas, ó Elvas, Badajoz à vista..."
Neste caso foi o contrário, passámos Badajoz seguindo a placa de Elvas. Que alegria voltar a entrar em solo português! (como suportaria viver no estrangeiro, se já sinto saudades do meu país após nem 12 horas de ausência?) Depois de quase atropelar um agente da GNR, numa inesperada operação stop junto à raia, entrámos na muralhada cidade de Elvas, em busca de alimento e alojamento. Na manhã seguinte, a chuva surgiu forte, mas não nos deteve de explorar a cidade. De salientar o aqueduto, com alguns séculos de vida, o castelo e a presença militar, patente na sede da Cruz Vermelha e no museu militar. A componente cultural também é valorizada, sendo o Coliseu uma marca disso (mas só vimos a placa). Almoço ainda nesta bela cidade, saboreando um bacalhau dourado que, afinal, era bacalhau à Brás (porém, delicioso: o erro foi pensar que era servido em posta). De notar que todas as pessoas que entravam para almoçar eram de nacionalidade espanhola - claro, a 8 km de distância eu também mudava de país para almoçar se o preço fosse menor e a qualidade maior (penso serem essas as razões para tal deslocação). Ah! e já me esquecia de mencionar a saborosa sericaia! Hmmm...
Após uma paragem para café em Estremoz, no famoso "Café Alentejano" (dou-lhe fama porque tenho quase a certeza que Miguel Sousa Tavares faz referência a esse estabelecimento no seu romance "O Rio das Flores"), o destino que se seguiu foi Évoramonte. Celebrizado por Ana Maria Magalhães e a actual ministra da Educação, numa das suas famosas aventuras, (por acaso nunca li essa, mas lembro-me da capa), foi palco da reconciliação, em 1834, de D.Pedro e D.Miguel, protagonistas da famosa guerra civil, que opôs a causa liberal e a absolutista. O local destaca-se, sobretudo, pela Torre, exemplar único da arquitectura militar de transição, do manuelino final, cuja utilidade era servir de residência de caça da casa de Bragança. Reza a lenda que foi aí que Carlos das "Viagens na minha Terra", prisioneiro pela causa liberal, escreveu as cartas à sua amada Joaninha. Mas isso são outras histórias...
Prosseguimos caminho até Arraiolos, onde chovia a cântaros e terminámos o nosso percurso turístico na bonita vila de Montemor-o-Novo, coroada com um inevitável castelo alentejano, pertencente à rede de castelos que vai de Elvas a Palmela. Na visita a uma capela, com frescos algo deteriorados mas de grande valor histórico, o guia explicou-nos que esta vila não tem nenhuma semelhança com Montemor-o-Velho: certas terras ganharam esta designação porque, como a reconquista se deu de norte para sul, a primeira terra a ser portuguesa foi Montemor perto de Coimbra, logo, recebe a designação de Montemor-o-Velho apenas para se distinguir de Montemor do Alentejo, que é mais "novo". Bem me parec que Proença-a-Nova não poderia ter semelhança com Proença-a-Velha...
E, continuando a ter a chuva como companheira, chegámos à velha Olissipo.

Sem comentários: