domingo, 20 de junho de 2010

O que se passa com a minha geração?


Eternas insatisfeitas, em que a amizade verdadeira vale mais do que a miragem de um dito "amor". Amor, paixão, romance, namoro... termos para definir o relacionamento que se estabelece com pessoas do sexo oposto (ou não, tenho de actualizar o texto para o contexto sociológico presente). "Ninguém é de ninguém, mesmo quando se ama alguém" lá dizia o sábio João Pedro Pais, que deve ter transformado as suas experiências amorosas, ou melhor, as suas experiências de relacionamentos com criaturas do sexo feminino, em canções. Que belo emprego; e não me refiro à sua profissão, que até é bonita, sim senhor, mas ao uso que deu ao passado. Usando uma metáfora, de certo modo bizarra, o JPP encontrou um dia o seu passado empacotado e leu "Modo de emprego: usar como tema de canções ligeiras românticas". E o moço assim o fez. Moço não, que tem idade para ser meu irmão mais velho, ai o respeitinho. Aliás, uma colega ranhosa que conheci no secundário (daquelas que mais valia não ter de conhecer mas faz parte da vida conhecer o amargo para aprender a apreciar o doce) orgulhava-se de ter arranjado um encontro com o referido JPP. E eu a olhar para ela (infelizmente nessa aula estávamos sentados por ordem alfabética e eu tinha de gramar a pastilha dela ao meu lado e de outra rançosa como ela à minha frente), para aquele exemplar feminino de metro e meio, gorda como um barril e um facies de náusea cínica enfeitado com um sinal horrível e pensar "pobre JPP: para além de ser miúda e parva é feia que nem um bode". Não sei como resultou aquele encontro mas o cançonetista não merecia aquilo.
Mas lá estou eu a fugir ao título do meu post: o que quer afinal a minha geração? Uma a uma, vejo cada vez mais raparigas sem compromissos amorosos, descrentes e cépticas em relação à vida de casal e à maternidade. "É tudo muito bonito mas depois quando era a vez dele de fazer a comida, íamos sempre comer fora: era eu que acabava sempre por cozinhar." (testemunho real, não inventado). "Se casar (se é que um dia isso vai acontecer) não quero grandes festas, só uma coisa simples." (outro testemunho verídico) "Eles só querem cama" (outro grande testemunho real). E nós? Afinal queremos o quê? Ainda com o estigma do príncipe encantado, não queremos ser escravas do lar, como as nossas mães ainda são (mesmo que trabalhem). Queremos dividir as tarefas domésticas. Queremos que ele adivinhe os nossos pensamentos. Queremos que ele compreenda quando não queremos cama ("oh sim, e agora que faço a isto?!"). Mas também queremos estar sozinhas, no nosso canto. Queremos namorados-a-dias. E isso não existe. Por isso, ou quebramos o encantamento e abrimos os olhos, enfrentando o duro mercado masculino, ou deixamo-nos estar no nosso canto, com o perfume da nostalgia a lembrar-nos que era bom ter alguém nas horas mais solitárias, mas não que não há nada melhor que ser solteira.

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