
" O estigma da rapariga solteira, ou
"Mais vale só do que mal acompanhada, ou
"O casamento/ união de facto é um mal necessário?, ou ainda
"Do que precisamos para ser felizes? (resposta: um cérebro)"
Nas épocas que hoje atravessamos, convém reflectir no conceito de Felicidade.
A Felicidade é um conceito deveras abstracto que traduz a satisfação plena de uma pessoa.
Pode dizer-se que é o objectivo último de por aqui andarmos.
Pois, se, daqui a um milhão de anos (ou talvez menos), já nada existir, nem pessoas, nem animais, nem biodiversidade, nem Mundo, nem estrelas, nem planetas (nem Deus? Mas ele ainda existirá?), de que vale tudo o que passamos se nunca entrevimos o gosto de sermos Felizes?
Depois a Felicidade não é igual para todos.
Para uns, significa dinheiro (ganhar o Euromilhões); para outros, constituir família; para aqueloutros, carreira; ou ainda: notoriedade (aparecer nas revistas, nao interessa se o motivo é bom ou mau), poder... e julgo que saientei os principais.
Claro que não quer dizer que estes factores granjeiem felicidade a quem os possui - as pessoas é que pensam que isso as fará felizes. Mas, a pouca experiência que tenho de vida diz-me que isso nao chega.
Primeiro, temos de nos conhecer a nós próprios e ser auto-suficientes (e não estou a falar apenas em termos económicos). Temos de nos capacitar que não seremos melhores pessoas se tivermos uma relação mais ou menos estável ou de que, para nos sentirmos realizadas não temos necessariamente de ter filhos.
Não e não.
Temos de nos libertar do que a sociedade espera de nós - principalmente as mulheres, que ainda vivem com o fantasma do casamento e do "happy end" matrimonial e procriacional. Primeiro, somos pessoas. O resto é acessório.
Dizem as nossas mães: "Ai, mas gostava de te ver arrumada..." (e não é num roupeiro).
Arrumada?
Encostada ao lado dum gajo que sabe cozinhar tanto como eu ou pior?
Que precisa de uma segunda mãe?
Para depois descobrirmos que nos deixamos levar nas cantigas deles do "amo-te tanto" e "oioai, és tão linda"?!
Eu não!
Que vão bater a outra porta que eu não tenho espaço para essas canções de embalar.
Somos só uma. Ponto final.
Ao criarmos família continuaremos a ser uma (ou pior, metade). A nossa individualidade desaparecerá. (Que medo que tenho disso).
Voltando ao tópico...
O segredo da felicidade?
É saber quem somos e para onde queremos ir, ignorando pressões da sociedade e, ao mesmo tempo, baixar as expectativas que temos.
A vitória sabe melhor se não estivermos à espera dela.
Se soubermos dar valor ao dia seguinte, seremos felizes.
Procuraremos então não pensar alto, seguir os conselhos do Dalai Lama e resistir à sociedade frenética de consumo.
Isto é:
- não sonhar em ter casa própria (o Euribor jamais o permitirá) e contentar-me com um apartamento sub-alugado com mais 2 ou 3 amigas (e uma família de baratas) na mesma situação deficitária;
- esperar que o contrato seja sempre renovado (ou prolongado por alguns meses);
- que a subida do ordenado seja compatível com a inflação (e já estou a ambicionar demais);
- pensar que ter TV Cabo/Meo e Internet é um luxo, equiparado a pesca submarina;
- contentar-me em visitar só 2 países europeus na minha vida (ou seja Portugal e Espanha);
- possuir um passe social e um meio de transporte adequado a minha sobrevivência, sem ser de 4 rodas (ou seja, uma bicicleta);
- consciencializar que ser solteira não é doença (nem sinónimo de "lesbiandade") mas um estado de graça;
-dar graças benfazejas se só tiver um ovário (a probabilidade de pagar creches/infantários e sustentar durante 40 anos um ser vivo diminuirá substancialmente, aliada ao facto de ser medonhamente abjecta em termos sedutores);
- se comer 3 vezes ao dia pão com fiambre já sou nutricionalmente equilibrada;
- se num mês, não for assaltada, tenho um pacto com os astros;
- o melhor amigo da mulher é um gato.
"Mais vale só do que mal acompanhada, ou
"O casamento/ união de facto é um mal necessário?, ou ainda
"Do que precisamos para ser felizes? (resposta: um cérebro)"
Nas épocas que hoje atravessamos, convém reflectir no conceito de Felicidade.
A Felicidade é um conceito deveras abstracto que traduz a satisfação plena de uma pessoa.
Pode dizer-se que é o objectivo último de por aqui andarmos.
Pois, se, daqui a um milhão de anos (ou talvez menos), já nada existir, nem pessoas, nem animais, nem biodiversidade, nem Mundo, nem estrelas, nem planetas (nem Deus? Mas ele ainda existirá?), de que vale tudo o que passamos se nunca entrevimos o gosto de sermos Felizes?
Depois a Felicidade não é igual para todos.
Para uns, significa dinheiro (ganhar o Euromilhões); para outros, constituir família; para aqueloutros, carreira; ou ainda: notoriedade (aparecer nas revistas, nao interessa se o motivo é bom ou mau), poder... e julgo que saientei os principais.
Claro que não quer dizer que estes factores granjeiem felicidade a quem os possui - as pessoas é que pensam que isso as fará felizes. Mas, a pouca experiência que tenho de vida diz-me que isso nao chega.
Primeiro, temos de nos conhecer a nós próprios e ser auto-suficientes (e não estou a falar apenas em termos económicos). Temos de nos capacitar que não seremos melhores pessoas se tivermos uma relação mais ou menos estável ou de que, para nos sentirmos realizadas não temos necessariamente de ter filhos.
Não e não.
Temos de nos libertar do que a sociedade espera de nós - principalmente as mulheres, que ainda vivem com o fantasma do casamento e do "happy end" matrimonial e procriacional. Primeiro, somos pessoas. O resto é acessório.
Dizem as nossas mães: "Ai, mas gostava de te ver arrumada..." (e não é num roupeiro).
Arrumada?
Encostada ao lado dum gajo que sabe cozinhar tanto como eu ou pior?
Que precisa de uma segunda mãe?
Para depois descobrirmos que nos deixamos levar nas cantigas deles do "amo-te tanto" e "oioai, és tão linda"?!
Eu não!
Que vão bater a outra porta que eu não tenho espaço para essas canções de embalar.
Somos só uma. Ponto final.
Ao criarmos família continuaremos a ser uma (ou pior, metade). A nossa individualidade desaparecerá. (Que medo que tenho disso).
Voltando ao tópico...
O segredo da felicidade?
É saber quem somos e para onde queremos ir, ignorando pressões da sociedade e, ao mesmo tempo, baixar as expectativas que temos.
A vitória sabe melhor se não estivermos à espera dela.
Se soubermos dar valor ao dia seguinte, seremos felizes.
Procuraremos então não pensar alto, seguir os conselhos do Dalai Lama e resistir à sociedade frenética de consumo.
Isto é:
- não sonhar em ter casa própria (o Euribor jamais o permitirá) e contentar-me com um apartamento sub-alugado com mais 2 ou 3 amigas (e uma família de baratas) na mesma situação deficitária;
- esperar que o contrato seja sempre renovado (ou prolongado por alguns meses);
- que a subida do ordenado seja compatível com a inflação (e já estou a ambicionar demais);
- pensar que ter TV Cabo/Meo e Internet é um luxo, equiparado a pesca submarina;
- contentar-me em visitar só 2 países europeus na minha vida (ou seja Portugal e Espanha);
- possuir um passe social e um meio de transporte adequado a minha sobrevivência, sem ser de 4 rodas (ou seja, uma bicicleta);
- consciencializar que ser solteira não é doença (nem sinónimo de "lesbiandade") mas um estado de graça;
-dar graças benfazejas se só tiver um ovário (a probabilidade de pagar creches/infantários e sustentar durante 40 anos um ser vivo diminuirá substancialmente, aliada ao facto de ser medonhamente abjecta em termos sedutores);
- se comer 3 vezes ao dia pão com fiambre já sou nutricionalmente equilibrada;
- se num mês, não for assaltada, tenho um pacto com os astros;
- o melhor amigo da mulher é um gato.
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